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terça-feira, 16 de agosto de 2022

Quais as funções da filosofia?

Quais as funções da filosofia?

As funções da filosofia resumem-se essencialmente em dois planos: teórico e prático. Porém, a separação entre os dois planos é muito fraca. Contudo, tais funções são extraídas a partir da própria natureza da filosofia e cada época histórica dá um especial enfoque a alguma das suas funções de acordo com a perspectiva mais ou menos dominante em que o espírito da época enquadra a filosofia.

Função teórica da filosofia 

Como uma forma de saber e de existência humana, a filosofia tem a função de iluminar o nosso intelecto em busca da verdade. A filosofia amplia as nossas concepções acerca daquilo que é possível, como também, ela enaltece a imaginação intelectual do Homem, fazendo com que este diminua a arrogância dogmática que cerra à especulação racional. A função teórica da filosofia ajuda o Homem analisar o mundo e a reflectir sobre todas as coisas.

Função Prática da filosofia 

Não é, a abstracção, o único campo reservado para a Filosofia? 

Existe algum interesse prático no exercício do amor ao saber? Decerto que a filosofia identifica-se particularmente com a realidade abstracta, mas a sua finalidade pode ter um alcance prático, como o adestramento de toda a actividade humana e da própria condição existencial (realidade social, política, económica) do Homem. A filosofia conduz-nos a uma autonomia no agir e a um viver de forma autêntica.

A filosofia estuda todas as coisas (o Homem, os animais, o mundo o universo, a arte, a política, a religião etc). Por isso se afirma que nenhum campo do saber humano escapa à filosofia; 

A reflexão, como pensamento crítico e criativo, constitui um dos métodos empregues em toda a actividade filosófica; 

A filosofia usa, além da reflexão, a justificação logico-racional como método mediante o qual ela busca uma coerência discursiva. 

Recurso à reflexão e à justificação lógico-racional como metódos leva à conclusão segundo qual, a filosofia não possui procedimentos metodológicos específicos protocolarmente estabelecidos e consensualmente aceites por todos os filósofos. Pois, o filósofo na sua actividade não exclui o recurso a outros procedeimentos metodológicos. 

As funções da filosofia sintetizam-se no saber pensar correctamente (plano teórico) e no agir convenientemente (plano prático).  

Objecto, Método e função da Filosofia

 Qual é o objecto de estudo da Filosofia?

No dizer dos filósofos, a Filosofia estuda todas as coisas, isto é, universo tomado na sua totalidade e é o fundamento de qualquer conhecimento. Ela estuda o valor do conhecimento, quer como pesquisa sobre o fim do Homem, quer como estudo da linguagem, do ser, da história, da arte, da cultura, da política, da ética, etc. Representa o esforço da razão teórica em conhecer o real (o ser), e a razão prática em transformá-lo. 

Portanto, filosofia engloba todas as coisas como seu objecto de estudo ( o Homem, os animais, o mundo, o universo, a arte, a religião, Deus, etc., objectos esses que constituem temáticas de estudo das outras ciências particulares), num sentido mais profundo, radical e crítico. 

Da afirmação segundo a qual a filosofia estuda todas as coisas, se infere que ela não tem objecto no mesmo sentido em que as outras ciências têm um objecto específico, isto é, um objecto determinado. Contudo, pode-se dizer que a Filosofia estuda todas as coisas, por duas razões:

Todas as coisas podem ser examinadas ao nível científico e ao filosófico, por isso, o Homem, os animais, o mundo, o universo, a arte, a religião, Deus, estudados em outras ciências particulares, também são objectos de estudo da filosofia;

O método - A filosofia tem como métodos: a reflexão (análise crítica) e a justificção lógico-racional. Convém notar que literalmente, a palavra reflexão, significa voltar a pensar o que já se pensou, o que já se viu. A expressão portuguesa que melhor traduz a palavra reflectir pode ser esta: “cair na conta de”, ou “tomar consciência de”. E só cai na conta de ou tomar consciência de, quem já esteve em contacto com tal coisa, num momento anterior. Toda a filosofia aspira a uma coerência que torna inteligíveis e admissíveis as ideias e as intuições dos filósofos, quer dizer, ela é sempre acompanhada por um esforço no sentido de estruturar racionalmente o pensamento, de um esforço que lhe garante um estatuto racional. Por isso, a filosofia é pela racionalidade. 

 

Definição Etimológica da Filosofia

Definição Etimológica da Filosofia



Definir etimologicamente um conceito quer dizer procurar compreender este mesmo conceito a partir do significado das palavras desse mesmo conceito. Assim, a palavra Filosofia provém da união de dois termos gregos: philos (amar, gostar de) e sophia (saber, sabedoria, conhecimento). Filosofia ou “amor a sabedoria”, “gosto pelo saber”. Esta definição revela-nos que filosofia não é tanto um saber constituído, uma sofia estabelecida, mas antes um amor, uma procura, um interesse pelo saber. Narra-se que o termo foi inventado por Pitágoras, filósofo grego (século VI a. C.) que, certa vez, ouvindo alguém chamá-lo sábio e considerando este nome muito elevado para si mesmo, pediu que o chamassem simplesmente filósofo, isto é, amigo da sabedoria, aquele que procura a sabedoria, que ama o saber, que indaga a verdade das coisas; o filósofo é um peregrino em demanda da verdade e não o possuidor dela, é um homem cuja consciência se apresenta sempre inquieta e insatisfeita. 

O carácter pluralista na definição da filosofia

A multiplicidade e diversidade de perspectivas filosóficas mostram-nos, a priori, o carácter pluralista da definição da filosofia e da sua prática. Este carácter pluralista resulta da impossibilidade de dar uma definição universalmente válida. Pois cada filósofo define a filosofia de acordo com as suas circunstâncias: o tempo, o lugar e as influências que este sofre, quer gnoseológicas, quer políticas ou ideológicas, económicas, culturais, etc. Apesar desta dificuldade de dar à filosofia uma definição única e acabada, a filosofia define-se a si própria pelo modo como se realiza. Só por saber que não existe uma definição única e consensual para todos os filósofos, nada nos permite concluir, no entanto, que ela seja um reino da subjectividade e de arbitrariedade, onde se admitem, sem critério ou crítica, todas as ideias. Está de parabéns por estar a progredir com sucesso no estudo deste módulo! Preste atenção ao resumo desta unidade temática, para que você possa consolidar o que acbou de aprender. 

Tentativa de definição da Filosofia - Algumas tentativas de definição de filosofia

Algumas tentativas de definição de filosofia

Como já vimos anteriomente, existem várias perspectivas ou maneiras de conceber a filosofia. 

Vejamos algumas dessas perspectivas 

Tentativa1 (de Aristoteles- idade antiga) 
A Filosofia é o estudo dos primeiros princípios e causas últimas de todas as coisas. Para Aristóteles (380-322 a.C.), assim como para grande parte da Filosofia clássica, principalmente os primeiros filósofos, a grande preocupação era de descobrir a origem do universo, isto é, tentar encontrar a causa primeira de todas as coisas. Nessa ordem de ideias, compreende-se então o tipo de definição que Aristóteles dá à filosofia. 

Tentativa 2 (de Cícero – Idade Média) 
Para este filósofo, a filosofia é o estudo das causas humanas e divinas. Para Cícero, a filosofia tem de se preocupar com a questão do Homem, no que diz respeito sobre a sua origem, a sua existência e o seu destino. E preocupa-se também sobre as quetões divinas, isto é, questões ligadas a Deus, espírito, alma. 

Tentativa 3 (de Descartes – Idade Moderna) 
Filosofia é a arte de raciocínio correcto. A Idade Moderna foi a época onde começa o desenvolvimento da técnica e da ciência motivada pelo uso da razão. É nessa perspectiva que aparece Descartes a definir filosofia como arte de raciocinar bem, e por isso mesmo, ser filósofo é ter essa capacidade de raciocinar correctamente. 

Tentativa 4 (de Karl Marx - Idade Contemporãnea) 
A filosofia é uma prática de transformação social e politica. Para este filósofo, a filosofia deve ajudar os homens a corrigir as mentes de modo a melhorar as suas condições de vida. 

Tentativa 5 (Hountondji – na Actualidade) 
Filosofia é uma disciplina científica, teorética e individual. 

Tentativa 6 (de Anyanw - na Actualidade) 
Filosofia tem a missão de explicitar o implícito, tomar consciência do inconsciente. Para este filósofo, a filosofia tem a missão de trazer à vista, aquilo que está oculto, deixar em evidência tudo o que parece escondido, e trazer à consciência tudo o que se pratica sem dar conta dele. 

Tentativa 7 (de Ngoenha – na Actualidade) 
Para ele, filosofia ajuda a resolver os problemas da humanidade, e é um instrumento de emancipação. Para este filósofo, o Homem tem que tomar filosofia como arma de libertação que resolve os problemas que acontecem no nosso dia a dia.